sábado, 17 de dezembro de 2011

ASA PARTIDA


Em 17/08/2010 postei uma poesia de Cecília Meirelles com o título ”Aqui está minha vida”, que tem o seguinte trecho: “Aqui está minha dor – este coral quebrado, sobrevivendo ao seu patético momento”. Isto diz tudo.

Este blog vai ficar fora do ar por um bom tempo. Episodicamente serão postadas matérias de circunstância, como alguma receita, alguma citação, basicamente para que continue a ser considerado como um blog ativo.

FELIZ NATAL E PRÓSPERO ANO NOVO!

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quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

FÉRIAS, QUE NINGUÉM É DE FERRO (Parte IV, arremate)



Ouvidoria e confessionário

No confessionário da Igreja de Monte Sião

Para ter uma idéia de como se sente um confessor, ou como diz o vulgo “sentir o clima”, experimentei a cadeira do confessionário da igreja de Monte Sião. O confessor, no exercício do seu mister, é um ouvidor por excelência. Felizmente, os ouvidores civis encaminham as questões e não julgam nem aplicam penalidades. Estas, porém, eram as funções dos Ouvidores-Gerais da época do Brasil Colônia.
 
O mistério dos elefantes

Em Campos do Jordão um teleférico conduz ao Morro do Elefante, que recebe este nome porque de longe o formato do morro lembra o dorso de um elefante. No mirante existe a figura de um elefante, de fibra de vidro, onde as crianças tiram fotos em sua garupa.  Até aí tudo bem. Mas, na piscina infantil do Hotel Monte Real Resort, em Águas de Lindóia, também tem a figura de um elefante com dois filhotinhos. Por último, em Monte Sião a fábrica de porcelana produz centenas de elefantezinhos. Há, por alguma razão, uma afinidade da região pelo dito paquiderme. Pelo sim pelo não, comprei meu elefantezinho que agora enfeita o desktop de trabalho.

O leitor interessado no assunto, e que não possa ir a Monte Sião comprar seu elefantezinho, pode, porém, ler um bom livro a respeito: “A viagem do elefante”, de José Saramago, publicado pela Companhia das Letras.


E o nosso turismo interno, dá para melhorar?

Conforme sabido, variam as condições de nossas cidades turísticas ou de apelo comercial. Em Gramado encontra-se  o exemplo mais acabado de profissionalismo. Nos pacotes de viagem já estão previamente definidas as possibilidades de passeio. Lá tudo funciona dentro dos horários previstos. A contrapartida é que nas excursões é preciso pagar ingresso em todas as paradas programadas. Nas que não são pagas, o ambiente é preparado para induzir ao consumo.

Do que aqui foi relatado, Campos do Jordão é a cidade mais equipada para atender ao turista. Nos hotéis é possível saber dos passeios e das vans e serviços que prestam o serviço. A cidade ainda dispõe de trenzinhos e do aluguel de charretes e cavalos. Além disso, os taxistas sabem informar sobre as principais atrações da cidade e têm para brinde revistas e prospectos informativos. A prefeitura faz sua parte ao estabelecer normas específicas para construções no Bairro Capivari, onde se concentram os principais pontos de interesse turístico.

Em Águas de Lindóia existem alguns problemas. O hotel deu informações sobre os horários de funcionamento do Balneário Municipal e da visita ao monumento do Cristo. Fomos visitá-los dentro do horário previsto para o período da tarde. Nenhum dos dois estava funcionando, tampouco existiam plaquinhas indicando o horário de visitas. Felizmente, no dia seguinte, no horário da manhã ambos estavam abertos ao público. Porém, no monumento do Cristo não existia um único postal do local, muito difícil de ser fotografado de frente. O balneário Municipal está muito mal cuidado, necessita de reparos nas instalações e praticamente todas as cadeiras disponíveis também carecem de reparos. Caso fosse terceirizado, haveria cobrança de ingressos, mas certamente a qualidade do serviço melhoraria. Aliás, mesmo na atualidade, com exceção da entrada livre, todos os demais serviços são pagos, como os banhos de imersão, hidromassagens, terapias, massagistas, etc. Na praça municipal também é visível o estado de má conservação de bancos e ferragens. Todos estes aspectos seriam de fácil solução e envolveriam baixo custo caso fossem feito de forma gradual. Falta, portanto, uma espécie de termo de ajustamento com a prefeitura para que se comprometa com as reformas necessárias.

Em Serra Negra o caso mais dramático. Uma única loja da cidade possui ímas de geladeira com o nome da cidade. Mas nenhum feito especialmente com a finalidade de divulgação local. Todos os modelos eram convencionais, com o nome Serra Negra colocado posteriormente, seja pintado ou por meio de adesivo. Em um dos melhores bares da cidade encontra-se uma série de fotografias antigas, relatando o processo de construção da cidade. Poderiam constituir um álbum ou conjunto de postais. Ademais, mesmo a cidade tendo um teleférico, não existe um serviço de informação turística que potencialize suas atrações.

Estes últimos exemplos sugerem que os programas do Ministério do Turismo não estão chegando a estas regiões, apesar da existência de uma secretaria específica com esta finalidade: a Secretaria Nacional de Programas de Desenvolvimento do Turismo. Uma associação com o Sebrae seguramente seria ainda melhor, tendo em vista os excelentes trabalhos e exemplos que estamos acostumados a ver por meio do programa Pequenas Empresas & Grandes Negócios. Com a melhoria dos serviços oferecidos, ganha a cidade e ganham os visitantes.

Fecham-se as cortinas do palco...
Em um conto de Juan José Morosoli, escritor uruguaio, dois caminhoneiros começam a tomar mate e a conversar, após uma viagem que haviam feito. Diz um deles: “Hermano, fizemos uma linda viagem, mas vimos pouca coisa, não achas?” Responde o outro: “Não. As viagens só começam depois que a gente chega. Te digo isso eu, que uma vez fui a Montevidéu e só na volta, quando comecei a contar tudo aos outros, me dei  conta de que tudo aquilo que eu tinha visto era uma coisa bárbara”.

De modo que a apresentação deste passeio tem também o propósito de reorganizar na lembrança os bons momentos vividos. Naturalmente, estas lembranças irão aos poucos se esmaecendo. Tornarão a ser revividas nos próximos meses, toda vez que forem recebidas as faturas do cartão de crédito. Vida que segue...

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FÉRIAS, QUE NINGUÉM É DE FERRO (Parte III)


Monte Sião (MG) e Serra Negra (SP) ficam bem próximas de Águas de Lindóia. Monte Sião a apenas 12 km e Serra Negra a 19 km. Embora ambas tenham diversos atrativos turísticos, são procuradas predominantemente por quem está em busca das excelentes oportunidades comerciais oferecidas no ramo de confecções. Quem precisa montar ou renovar seu guarda-roupa de inverno estará bem servido nestes locais, com a vantagem dos baixos preços.

Monte Sião


Monte Sião, limítrofe a Águas de Lindóia, mas já no Estado de Minas Gerais, é procurada basicamente pelas ofertas de malhas do comércio local, justificando seu título de Capital Nacional do Tricot.

O portal da cidade 


Rua central de Monte Sião 

Santuário de Nossa Senhora da Medalha Milagrosa


A história da Medalha Milagrosa é muito interessante: ela foi cunhada a partir de uma visão da Virgem Maria por Catarina Labourè, na França. Nossa Senhora aparece sobre o globo terrestre, esmagando a cabeça de uma serpente, e de suas mãos saem feixes de luz, simbolizando as graças que concede. A imagem da igreja de Monte Sião, que ornamenta o centro do altar-mor, veio de Portugal em 1860. Em 1937 o Bispo da diocese achou a estátua sensual demais, por ter traços que marcavam suas formas, e ordenou ao pároco que a enviasse para uma capela da zona rural. Sua ausência foi muito sentida e a partir dela uma grande seca se abateu sobre o município. Em 1939, com a continuidade da ausência de chuvas em Monte Sião, enquanto que nas outras cidades da região chovia normalmente, a população tanto intercedeu pela volta da imagem da Padroeira que conseguiu a autorização para seu retorno. Quando estava entrando na cidade, com grande cortejo acompanhando, os primeiros pingos de chuva começaram e em seguida desabou uma grande chuva. Este dia, em 5 de novembro de 1939, foi considerado o Dia do Milagre da Chuva. Desde então, o ciclo de chuvas na cidade voltou ao normal.

A praça da Matriz 

A fábrica de porcelana


A fábrica, por si, justificaria uma visita a Monte Sião. Nas fotos é possível ter uma idéia de todas as etapas do processo de fabricação dos objetos de porcelana azul e branca.

Serra Negra


Uma estátua do Cristo Redentor, alcançável por meio de um teleférico, é uma das diversas atrações do município. Nossa passagem pela cidade, no entanto, destinava-se apenas a incrementar o ICMS local.

A decoração do Restaurante San Pietro, onde almoçamos

A Matriz de Nossa Senhora do Rosário
Jundiaí 
 
No âmbito doméstico do Centro de Engenharia e automação


Encerrado o ciclo turístico de nossa viagem, no restante do período ficamos na casa de minha irmã Ila Maria, no Centro de Engenharia e Automação, em Jundiaí. Na foto maior apareço junto com sua família: Álvaro, o esposo, Ila e Paula, a filha. Assim, encerramos nossas férias em ambiente de amenidades domésticas e voltamos para Brasília.

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quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

FÉRIAS, QUE NINGUÉM É DE FERRO (Parte II)

Após a visita a Campos do Jordão, fomos de ônibus até o Terminal do Tietê, em são Paulo, e de lá pegamos outro ônibus para Jundiaí. Minha irmã, Ila Maria, nos recebeu e ficamos hospedados em sua casa. Ila Maria Corrêa é Diretora do Centro de Engenharia e Automação, ligado ao Instituto Agronômico de Campinas, e mora em uma residência funcional. Ela nos levou de carro para a segunda parte de nosso roteiro: Águas de Lindóia, para também visitar as cidades vizinhas de Serra Negra e Monte Sião.

Nestas rápidas andanças não foi difícil encontrar superlativos: Campos do Jordão é o município brasileiro que fica na maior altitude, Águas de Lindóia possui águas termais com o maior teor de radioatividade do mundo, motivo da visita que a cientista Madame Curie, Prêmio Nobel de Química, fez à cidade em 1928.
  
Águas de Lindóia

De Jundiaí (761 m) a até Águas de Lindóia (945 m) percorrem-se 106 km, novas curvas ascendentes mas tudo numa boa.

 
O portal da cidade
 
O Hotel Panorama
Hotel Panorama - 095

Nossa hospedagem foi no Hotel Panorama, o prédio circular aí da foto. Construído em 1977, deve ter sido um assombro na época. O hotel pode ser visto da maioria dos pontos da cidade. Possui 14 andares. Ficamos no 13º andar, de onde se tem uma bela vista da cidade, conforme comprovam fotos logo abaixo. O restaurante com vista panorâmica fica no 14º andar.


Dependências do hotel

O hotel é muito confortável, com excelentes acomodações. Seu restaurante só não é recomendado para quem esteja em dieta alimentar, pois o serviço é muito bom e o cardápio pecadoramente farto. Ficamos bem à vontade. Por ser baixa temporada, a ocupação do hotel era baixíssima.

Vistas panorâmicas da cidade


Panorâmicas de Águas de Lindóia

O Balneário Municipal



O Balneário Municipal concentra as atividades ligadas ao uso das águas termais. Na foto à direita, os pequenos círculos no terreno são clarabóias que auxiliam a iluminar as câmaras para banho, na parte interna do prédio.




No Balneário é possível encontrar diversas atividades para quem busca os benefícios de suas águas termais: banhos de imersão, hidromassagens, terapias e serviços de massagistas.


A água espacial



Segundo a Nota Fiscal nº 20.218, de 02/04/69, o Balneário embarcou para Cabo Kennedy, a pedido da NASA, 100 dúzias de garrafas contendo água mineral de Águas de Lindóia. Isto ocorreu três meses e meio antes do lançamento da nave Apolo 11, que levou o homem à Lua pela primeira vez. A nave possuía dois reservatórios para água, mas, apesar das solicitações da Prefeitura, a NASA nunca informou sobre a utilização da água comprada. Motivos não faltariam para a água mineral de Águas de Lindóia abastecer a nave, por sua baixa acidez e rápida absorção pelo organismo. Em face da posição da NASA, a cidade não pode confirmar oficialmente que sua água teria sido a primeira a ir para o espaço. O assunto fica, portanto, na esfera das lendas urbanas. Se bem que no caso talvez o mais apropriado seja dizer que se trata de uma lenda espacial.

 A Estátua do Cristo

 
Localizada no Morro do Cruzeiro, a estátua do Cristo fica em posição proeminente. Do seu mirante é possível se ter uma visão panorâmica de toda a cidade.

O Bosque Municipal


Ao lado de nosso hotel fica o Bosque Municipal Zequinha de Abreu, o compositor mais conhecido por ”Ticio-tico no fubá”, nascido em Santa Rita do Passa Quatro, SP. Autor também de “Tardes em Lindóia”, que é o hino municipal. A história de “Tardes em Lindóia” tem uns poréns. Zequinha de Abreu compôs a música e a letra é de Pinto Martins. A música foi apresentada em 1930. Pois bem: atualmente existem os municípios de Lindóia e Águas de Lindóia, que antes constituíam uma única região. Em 1838 Lindóia virou município, enquanto a hoje Águas de Lindóia era distrito, conhecido como Thermas de Lindóia. Em 1954 a sede do município foi transferida para Thermas de Lindóia e o município passou a chamar-se Águas de Lindóia. Em 1964, Lindóia voltou a ser município, desmembrado de Águas de Lindóia.

Quando a música foi composta Lindóia não existia como unidade administrativa, tampouco a letra fala quer em Termas de Lindóia quer em Águas de Lindóia. Seria difícil, aliás, encaixar estes nomes na letra da música. Mas, como a música tornou-se hino da cidade, é possível supor que a referência seja mesmo a Águas de Lindóia. Talvez na sua aprovação como hino da cidade, pela Câmara Municipal, conste alguma explicação histórica na exposição de motivos. Não foi possível, pelo Google, esclarecer estes pontos. Tampouco o período em que Zequinha de Abreu teria conhecido Águas de Lindóia.

Para relembrar, o vídeo abaixo apresenta a música na clássica interpretação de Francisco Petrônio. Rosamaria Costa, minha colega de ginásio em Lavras do Sul e dona de uma memória privilegiada, lembra que esta música fazia parte do repertório de nossas aulas de Canto Orfeônico.



Tem mais?

Monte Sião e Serra Negra serão as próximas atrações deste relato. E derradeiras.


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sábado, 10 de dezembro de 2011

FÉRIAS, QUE NINGUÉM É DE FERRO (Parte I)

Em Campos do Jordão comemos uma truta grelhada no Baden Baden. Mas, até chegarmos lá algumas atrapalhadas...

Nossas férias, minhas e de minha mulher, começaram sob fortes emoções. Por problemas inesperados no trânsito de Brasília chegamos ao aeroporto quando a companhia aérea já estava nos chamando. Correria para cá, para lá, uma van que nos levou para o avião, que estava na pista só à nossa espera.

Desembarcamos em Campinas, de onde pegamos um ônibus para Campos do Jordão. Viagem brilhante, pelas excelentes rodovias de São Paulo, até Pindamonhangaba. Aliás, Pinda, segundo o modo local de se referir à cidade. É Pneus Pinda, Drogaria Pinda, loja Pinda & Borda, etc.etc. Isto, que gramaticalmente corresponde ao processo de formação de palavras por redução vocabular, como cine reduzido de cinema, auto reduzido de automóvel e foto de fotografia, aparentemente é um costume apreciado pelos paulistas: Bandeirantes vira Band, Rádio Panamericana vira Jovem Pan, e até Jundiaí pode virar Jundi como em Jundi Turbinas.

Saímos de Pinda no começo da noite e foi como entrar no meio do nada: uma estrada sem nenhuma iluminação, só os faróis do ônibus permitindo ver as curvas ascendentes, isto é, uma curva para a esquerda, uma curva para a direita, sempre subindo. A distância entre as duas cidades é de 101 km, Pinda fica na altitude de 557 m e Campos do Jordão a 1.600 metros em média. Portanto, um trecho bastante puxado pela Serra da Mantiqueira. Ao lado da estrada uns bastõezinhos iam indicando a mudança de altitude. Mais ou menos no meio do trajeto um silvo, um barulho e o ônibus para. Suspeita de pneu furado. Suspeita não confirmada, a abraçadeira da mangueira do intercooler havia se soltado. Sem condições de suporte técnico, pois o serviço de Campos do Jordão encerra-se ao final do dia e dane-se o que acontecer fora do horário de expediente, o jeito foi recolocar a abraçadeira do modo que foi possível e seguir viagem devagar para não forçar novo problema. Que de fato houve. Nova tentativa. Daí para a frente o ônibus terminou de subir a serra andando a 20 km/hora. Chegamos ao destino com uma hora meia de atraso e com 11ºC de temperatura. Finalmente começavam nossas férias. 

Campos do Jordão

A origem de Campos do Jordão: o Governador da Capitania de São Paulo concedeu uma sesmaria (equivalente à área atual da cidade) para Vieira de Carvalho. Com sua morte, a sesmaria foi hipotecada, em 1825, para o Brigadeiro Manoel Rodrigues do Jordão, amigo íntimo de D. Pedro I e dono das terras nas quais o Imperador deu o “Grito da independência”.  O Brigadeiro morreu dois anos depois sem ter conhecido a fazenda e a antiga sesmaria passou a ser conhecida como “os campos do Jordão”.

O portal da cidade

Por conta das qualidades do ar da região, as pousadas e pensões passaram a receber pessoas com problemas respiratórios, chamados de “respirantes”. Como se respirantes não fôssemos todos nós. A fama da cidade propagou-se e, para evitar que ficasse estigmatizada, os hotéis passaram a exigir dos hóspedes atestado de boa saúde.

A Prefeitura de Campos do Jordão fica na altitude de 1.628 m. É, portanto, o mais alto município brasileiro.
 
Pousada das Hortênsias

Ficamos hospedados na Pousada das Hortênsias, um local simpaticíssimo e marcado pela cordialidade no atendimento. Embora exista o serviço de café da manhã, o restaurante não oferece refeições como almoço e jantar. Mas, os hóspedes dispõem de um chá da tarde, como cortesia, servido às 17 horas com todos os complementos. No começo da noite cada apartamento recebe ainda uma bandeja para uma última rodada de chá, acompanhada de biscoitinhos.

A pousada onde ficamos hospedados





Capivari - o bairro nobre






O bairro Capivari é onde se concentram os hotéis e pousadas e as principais atrações turísticas. A construção no local só é permitida nos moldes da arquitetura de origem suíça.

O Pico do Itapeva



É o pico mais alto da região. Fica a 2.305 metros. Embora pertença a Pinda, seu acesso é feito por Campos do Jordão. Por razões, digamos, visíveis, as barraquinhas do lugar vendem um apropriado e muito a calhar chocolate quente.

Floração nativa




A força da natureza: na beira da estrada copos de leite (as flores brancas) e digitalis (as avermelhadas). A digitalis precisa de frio para florescer e é a base da digitalina, remédio usado para problemas de arritmia do coração.

Ducha de Prata


O local, próprio para atividades junto à natureza, localiza-se em um bairro chamado Vila Inglesa, que herdou o nome de uma antiga Pensão Inglesa.
 


Centro turístico

Campos do Jordão possui dois centros: este, que é retratado, e o centro comercial, onde se concentram os principais estabelecimentos comerciais que atendem à população local.
  
 
O Morro do Elefante


O Morro do Elefante deve seu nome ao fato de que, de longe, seu contorno lembra o dorso de um elefante. O acesso principal é feito por meio de um teleférico.



O teleférico para o Morro do Elefante

O mirante do Morro

Campos do Jordão ainda tem vários outros atrativos que, pelo tempo disponível, não conseguimos conhecer. Como, por exemplo, o Mosteiro das Monjas Beneditinas, o Palácio do Governo, a Fábrica da Baden Baden e principalmente o trajeto de trem até São José dos Pinhais. Para quem gosta, a região também é procurada por suas trilhas para jipes, motos e outras modalidades do chamado turismo de aventuras.

É fácil entender sua fama no tratamento de problemas respiratórios. O ar que lá se respira é revigorante. Também revigorante o frio da segunda quinzena de novembro. Frio, aliás, de alto gabarito. Aquele frio que estimula. Nada daquele frio bárbaro que é acompanhado por vento ou por chuva. Portanto, quem estiver em busca de qualidade de vida, prestes a se aposentar dispondo de um pé-de-meia, pode considerar a possibilidade de se estabelecer em Campos do Jordão. As ofertas imobiliárias vão das mais razoáveis às de altíssimo padrão.  O cidadão será vizinho da alta burguesia que lá possui mansões, como o Bispo Edyr Macedo, Ricardo Semler – autor do best-seller “Virando a Própria Mesa” e cuja casa está construída em um terreno de cinco milhões de metros quadrados -, e o Deputado Paulo Maluf, nome de um enorme e saboroso pastel local, naturalmente com recheio superfaturado. Além disso, Campos do Jordão fica a confortáveis 170 km da cidade de São Paulo, aonde o cidadão terá a oportunidade, quando lhe aprouver, de ir assistir a todos os shows, filmes e espetáculos oferecidos pela maior cidade brasileira. Junta-se assim o melhor de dois mundos: um lugar agradável onde existem excelentes alternativas gastronômicas, com a proximidade do fervo artístico e cultural. Convém saber que o preço dos combustíveis é mais elevado até do que em Brasília, além do que o consumo dos carros resulta prejudicado pela topografia da cidade. Em contrapartida, a passagem nos ônibus urbanos é grátis para quem tem mais de 60 anos.

Campos do Jordão foi a primeira parte de nosso itinerário. Que ainda teve desdobramento.

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quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

NOTAS SOCIAIS


O registro de um mimo e recomendação de leitura


Minha colega de faculdade, Ruth Wigner, enviou-me o livro acima: “Vozes da legalidade: política e imaginário na era do rádio”, de Juremir Machado da Silva, publicado pela Editora Sulina em 2011 e já em 5ª edição. O livro foi comprado na Feira do Livro de Porto Alegre, que este ano comemorou sua 57ª edição. Iniciativa brilhante e que a cada ano alcança pleno êxito.

Uma ocasião, quando já estava na universidade, em Porto Alegre, coisa aí pelo final dos anos 60, fui à Feira e estava xeretando em uma banca para ver as novidades. O livreiro, um sujeito grandão, com jeito de quem estava meio enfadado, perguntou se eu estava interessado em alguma coisa. Pra desconversar, disse que estava procurando alguma coisa leve. Na mesma hora ele rapidamente me passou o livro “A era da incerteza”, de John Kenneth Galbraith, que não era leve nem no conteúdo nem em sua dimensão física, sendo um cartapácio de quase 400 páginas. Fiquei com a nítida impressão de que o cidadão queria se livrar daquele livro. Achei prudente agradecer e fui visitar outras bancas com livreiros de melhor astral.

Mas o registro do “Vozes da legalidade” se deve não só à gentileza do presente, acompanhado de carinhosa dedicatória, mas também porque se trata de um trabalho cuja leitura é recomendável. Em especial para quem quer conhecer os bastidores do episódio em que Leonel Brizola, então Governador do Rio Grande do Sul, organiza uma rede de rádios, a Cadeia da Legalidade, comandada pela Rádio Guaíba, de Porto Alegre, que desencadeia um movimento de mobilização popular que acabou viabilizando a posse de João Goulart na presidência. Jânio Quadros havia renunciado e os militares queriam impedir que Jango, então em viagem ao exterior, assumisse o cargo. Mas a leitura é também recomendada para quem tiver interesse em ler um bom texto sobre nossa história política. É um livro quase coloquial, de leitura fácil e saborosa, resultado de um primoroso trabalho de pesquisa e de entrevistas com grandes nomes da política da época. O autor é jornalista, radialista, professor, historiador e Doutor em Sociologia.

Um sugestão de pesquisa

Carlos Renato B.da Silva comenta com muita gentileza os textos memorialísticos que tenho publicado. Em um dos comentários postados, ele sugere resgatar um período um tanto desconhecido dos lavrenses que é a época do Cultivo do trigo e do Comando Agrícola Marema LTDA”. Acrescenta que uma consulta aos dados de produção do município auxiliaria na pesquisa. 

A sugestão é preciosa. No entanto, pelo meu distanciamento físico de Lavras do Sul, que em linha reta dá mais de dois mil quilômetros, divulgo a sugestão para quem tenha a condição ou interesse de desenvolvê-la, pois supõe a possibilidade de ter melhor acesso a dados estatísticos disponíveis em órgãos da Prefeitura, do IBGE ou do Governo do Estado. Além, naturalmente, da disponibilidade de consulta a cidadãos que viveram a época e que possam dar seu depoimento e testemunho. O PATO VELHO está à disposição para publicar os resultados deste trabalho.

Novas perspectivas para as ouvidorias públicas

A Ouvidoria-Geral da União está desenvolvendo uma série de atividades e projetos relacionados às ouvidorias públicas, a exemplo dos estudos para a formalização de marcos legais que assegurem a formação de um sistema federal de ouvidorias, a instituição de uma identidade administrativa e orçamentária para as ouvidorias, além do estabelecimento de normas que resultem em uma nova organização do processo de análise das manifestações.

Como etapa preliminar e para melhor conhecimento do universo e das condições em que atuam as ouvidorias públicas, a Ouvidoria-Geral da União promoveu a aplicação on-line de dois levantamentos: um questionário para identificar a percepção dos ouvidores sobre sua atividade e outro voltado para a obtenção de informações operacionais. O responsável pela coleta e análise desses dados é o Prof. Doriam Borges, Doutor em Sociologia pelo IUPERJ e professor do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da UERJ. Para complementar seu trabalho ele entrevistou os ouvidores dos diversos ministérios. Nas fotos abaixo, registro de sua passagem pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.

A partir da esquerda: o Ouvidor-Geral do MCTI,  Prof. Dr. Doriam Borges
e Eduardo Ramos Ferreira da Silva, Ouvidor-Substituto do MCTI

Um momento raro: o Ouvidor está falando

 No corrente mês, como resultado de parceria formada entre a Ouvidoria-Gral da União e o Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro), foi realizado o encontro Novas Tecnologias para Ouvidorias, com o objetivo principal de identificar as necessidades das ouvidorias em Tecnologia da Informação (T I), especialmente em face da implementação da Lei nº 12.527/2011, de Acesso à Informação Pública. Na oportunidade, foi apresentado o sistema que o Serpro desenvolveu para gerenciamento eletrônico das manifestações recebidas pelas ouvidorias, na forma de software livre.

As palestras do encontro podem ser assistidas por meio do seguinte endereço: http://assiste.serpro.gov.br/ogu.  O software desenvolvido pelo Serpro está disponível em: http://softwarepublico,gov.br. Procure por “Sistema de Ouvidoria”. Para download é necessário cadastro prévio.


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