domingo, 22 de janeiro de 2012

SOBRE LIVROS: TRÊS AUTORES, TRÊS CULTURAS (Parte II)

A sombra do vento

Presente recebido de quem sempre se caracteriza pela alta qualidade na escolha de seus mimos, “A Sombra do Vento” é um livro para quem gosta de livros. A história de Carlos Ruiz Zafón, publicada pela Suma de Letras, se desenvolve em torno de livros, tendo como pano de fundo um Cemitério dos Livros Esquecidos. Este provavelmente está ancorado na idéia de Biblioteca Universal, de Jorge Luis Borges, que também serviu de inspiração para “O nome da rosa”, de Umberto Eco, onde o bibliotecário cego é uma referência explícita a Borges.
A Sombra do Vento
“A sombra do vento” é um excelente livro! Como narrativa, o melhor dos aqui apresentados. Daqueles de começar a ler e não se querer mais largar. Mas, como todo mundo tem suas necessidades básicas, em algum momento tem que largar, afinal são quase 400 páginas de suspense e ação que se renovam constantemente. Praticamente uma surpresa a cada instante. Um livro de ação, portanto. É uma grande dica para presente, desde que não seja para alguma freira da ordem das Carmelitas, ou de qualquer outra ordem.
Suas histórias passam-se na Espanha autoritária da primeira parte do século XX. Quando as restrições das famílias à liberdade das mulheres eram imensas. Em contrapartida, as transgressões também. As consequências destes atos duravam uma vida inteira. Ao final o amor sempre vence. Ou melhor, ao final às vezes o amor consegue vencer.
Las teorías salvajes

O livro de Pola Oloixarac é de 2008, o mais recente dos três, publicado pela Editorial Entropía. Primeiro livro da autora, que “estudou Filosofia na Universidade de Buenos Aires”. Certamente por isto também é apresentado como um “romance filosófico”. Desconfio que esta classificação seja um modismo, aplicável a qualquer obra que não seja do tipo maria-ama-joão. 
 
Las teorias salvajes
Para melhor leitura do livro utilizei um artifício. A gente costuma achar que ler em espanhol é barbada. Aí começa a tropeçar aqui, logo em seguida ali, e assim por diante. Consultar dicionário com muita frequência corta o ritmo da leitura. Assim, como o livro foi presente de minha filha, após uma viagem à Argentina, sem custo, portanto, optei por comprar a versão em português, “As teorias selvagens”, publicada pela Benvirá. Deste modo era mais fácil resolver dúvidas, porque o termo a pesquisar estaria traduzido de acordo com o contexto da frase. Infelizmente a tradução é muito singela, muito ao pé da letra, sem interpretação, o que acaba “matando” algumas passagens. Em casos de grande dúvida o tradutor optou por manter os termos no original, chegando a cometer barbarismos, como traduzir “lenguas romances” por “línguas romances”, quando o certo seria “línguas romanas” ou, melhor ainda, “línguas românicas”, as derivadas do latim, a língua romana propriamente dita. A editora deve ter economizado no serviço de tradução, e isto certamente contribuiu para que a versão portuguesa da obra não tenha emplacado, apesar de o livro já ter sido traduzido para o francês, holandês, finlandês e italiano.

Pola Oloixarac esteve no Brasil em 2010, na FLIP – Festa Literária Internacional de Parati. Veio meio adoentada e, apesar de ser um tipão, teve participação discreta. Em uma entrevista queixou-se do tratamento recebido pela imprensa do seu país. Logo após o lançamento de seu livro surgiram conjecturas de que seu nome fosse um pseudônimo, sendo o autor alguém do sexo masculino. Sinal de que os hermanos também têm lá os seus preconceitos. Afastada a suposição, a imprensa passou a centrar a abordagem em cima de o fato dela ser bonita. Ela novamente se injuriou. Tal como aqui, os hermanos devem acreditar que mulher bonita não pode ser inteligente. Pola Oloixarac possui dois blogs, um deles dedicado a orquídeas. Mas o seu perfil apresenta informações pouco esclarecedoras.



Pola Oloixarac
Dos três títulos aqui mencionados, este é o de leitura mais difícil, comentário que, espero, não desanime ninguém. O livro é uma sátira à academia, um sistema falido com professores desinteressados em um ambiente de decadência institucional, o que não parece ser exclusividade argentina. Tudo isto vivido por uma juventude com os hormônios em altíssima ebulição. Ela ironiza de forma mais contundente os trabalhos de antropologia e suas típicas e curiosas tribos indígenas.  Além disto, os livros sobre guerra – Sun Tzu, Carl von Clausewitz – são algumas de suas predileções, ao lado de uma imensa galeria de clássicos da filosofia. Afinal, com ela diz, “la filosofia es el playground de Satán”. E mais: “es sabido que la experiência del terror em plena noche es essencial para uma comprensión cabal de la filosofia política”. O ponto alto do livro está justamente nestas reflexões, uma espécie de “viagem” da narradora.

Quem já passou pelo efervescente ambiente universitário provavelmente vai sentir, ao longo da leitura, alguma nostalgia por aqueles anos loucos.

Para encerrar, um registro banal: a gatinha da narradora se chama Montaigne Michelle. Este costume de batizar os felinos com nomes de referência literária ainda não chegou a nossas plagas.  Acho que não perdemos por esperar.

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quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

SOBRE LIVROS: TRÊS AUTORES, TRÊS CULTURAS (Parte I)

Sem que tivesse sido planejado, calhou que li na sequência três livros de autores alienígenas. O que não quer dizer, se isto fosse possível, que tenha lido autores marcianos, venusianos, etc., apenas autores de fora de nosso país, pois o significado original da palavra alienígena é simplesmente estrangeiro. Li, pela ordem, “A elegância do ouriço”, de Muriel Barbery, francês, “A sombra do vento”, de Carlos Ruiz Zafón, espanhol, e “Las teorías salvajes”, de Pola Oloixarac, argentina.

Sobre cada um deles farei pequenos comentários, minhas impressões pessoais. Nada, porém, que se aproxime de uma crítica literária. Para isto, quem tiver maior interesse seguramente estará melhor servido por uma consulta via Google.

A elegância do ouriço

Dos três títulos mencionados, este é o único que pode ser lido sem ressalvas por religiosas de convento. O que, espero, não lhe desmereça. Até chegar à sua leitura tem uma historinha no meio. Por um certo período tive como colega de trabalho um jovem de grande inteligência, formado em psicologia, com ênfase em relações humanas no trabalho. Em função de nosso ofício, uma ouvidoria pública, conversávamos bastante sobre assuntos relacionados à atividade, com digressões sobre temas como, por exemplo, a teoria de Carlos Lombroso. Isto, naturalmente, dentro de uma perspectiva lúdica. Suponho que ninguém acredite que levássemos a sério considerações de vertente lombrosiana. Curiosidades a respeito desta interpretação também podem ser sanadas por meio do Google.
Emprestei ao colega “Quando Nietzsche chorou”, de Irvin D. Yalom, que, aliás, é um livro excelente. Pois bem, vida que segue e o colega foi transferido para Curitiba. Para lá ia eu participar de um simpósio. Pareceu-me apropriado levar-lhe outro livro como lembrança. Pelo meu pouco conhecimento da área, pedi a uma colega que solicitasse à sua analista uma indicação na mesma linha do livro sobre Nietzsche.  A sugestão foi “A elegância do ouriço”, publicado pela Companhia das Letras. Mesmo me sentindo desconfortável por ter de recorrer a terceiros, ainda mais terceiros desconhecidos, comprei o livro, afinal o tempo era curto, e o levei como presente.
O desconforto agora era por ter presenteado com algo que eu desconhecia por completo. Ficou por isto mesmo até que descobri que minha filha tinha recebido o referido título, por conta de uma corrente de troca de livros usados via internet. Finalmente, portanto, surgiu a oportunidade para matar minha curiosidade.
A elegância do ouriço
Para começar, não se tratava, como eu imaginava, de um “romance psicológico”. O material de divulgação dizia claramente tratar-se de um “romance filosófico”. Enfim, como não se ganha sempre, fui em frente.
Diz-se que em literatura se alcança o universal pela excelência no tratamento local. É o caso. O livro fez muito sucesso na França, certamente porque descreve situações essencialmente francesas. Tal como num reality show, o cenário é um prédio de apartamentos de luxo. Onde se desenvolvem duas histórias paralelas: a de uma adolescente, que logo no início de seu diário estabelece a data em que pretende se suicidar, sem que isto altere um milímetro do seu comportamento nem do seu humor; e a de uma improvável concierge, a zeladora do prédio, instituição tipicamente francesa. Há décadas que os moradores do prédio são os mesmos; quando morre alguém o apartamento passa para o herdeiro e tudo segue como dantes. Isto muda quando, após a morte de um morador sem herdeiros diretos, o apartamento é colocado à venda. O comprador, um japonês, desperta evidente curiosidade, principalmente por vir de uma cultura exótica. A maior expectativa, no entanto, é se ele teria algum gato. O que, para alívio geral, se confirmou. Estes gatos franceses, presentes em todos os apartamentos, não eram triviais. Não tinham nomes comuns de gatos. Os nomes eram escolhidos entre personagens da literatura, especialmente a dos grandes escritores russos, e da filosofia. O que demonstrava as afinidades eletivas de seus donos. Para não estragar a surpresa, só lendo o livro para saber porque a figura da concierge era improvável. E para conhecer também o nome que ela deu a seus gatos.
O japonês promoveu uma reforma geral no seu apartamento, a primeira em toda a história do prédio, que foi acompanhada com vívido interesse. A admiração pela cultura japonesa está presente em todo o livro. É interessante verificar como ela é admirada no mundo ocidental, principalmente nos inúmeros filmes americanos que apresentam referências nipônicas explícitas.
Enfim, o tema central é o grande drama humano de quem vive muito abaixo de suas possibilidades. Quando finalmente vislumbra uma tentativa de redenção, é soterrado por uma tragédia ainda maior. Mas, se cai uma árvore aqui, logo ali uma nova muda começa a florescer. E a vida segue seu curso.

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sábado, 7 de janeiro de 2012

PARA AFASTAR AS TEMPESTADES


No primeiro dia do ano de 2012, Carlos Heitor Cony publicou na Folha de São Paulo uma crônica com o título “Ad repellandas tempestastes”, ou seja, para repelir tempestades. Ao considerar tudo o que aconteceu no ano recém findo, ao invés de alvíssaras preferiu prevenir-se contra novas calamidades. As quais, acrescento, não se referem somente a desastres naturais nem a conturbações políticas, mas podem também desabar sobre o contexto pessoal ou familiar.

Para esconjurar possibilidades funestas, Cony lembrou de uma oração de seus tempos de seminário, rezada em horas críticas, a referida “Ad repellandas tempestastes”. É em latim, que, no seu entender, parece ser uma língua bem aceita lá em cima. Para quem tiver o interesse de associar o fervor de suas preces a este propósito, a oração está transcrita aí embaixo, tal como é encontrada no Missale Romanum de 1957.


A DOMO tua, quaésumus, Dómine, spiritáles nequítiae repellántur: et aëreárum discédat malígnitas tempestátum. Per Dóminum.
OFFÉRIMUS tibi, Dómine, laudes et múnera, pro concéssis benefíciis grátias referéntes, et pro concedéndis semper supplíciter deprecántes. Per Dóminum.
OMNÍPOTENS sempitérne Deus, qui nos et castigándo sanas, et ignoscéndo consérvas: praesta supplícibus tuis ; ut et tranquillitátibus hujus optátae consolatiónis laetémur, et dono tuae pietátis semper utámur. Per Dóminum.

Embora nem todo mundo conheça latim, este é um caso em que o cidadão pode não saber muito  bem o que está dizendo, mas o omnisciente Altíssimo sabe o que está sendo dito. E Sua misericórdia é infinita. Oremos, pois.

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sábado, 17 de dezembro de 2011

ASA PARTIDA


Em 17/08/2010 postei uma poesia de Cecília Meirelles com o título ”Aqui está minha vida”, que tem o seguinte trecho: “Aqui está minha dor – este coral quebrado, sobrevivendo ao seu patético momento”. Isto diz tudo.

Este blog vai ficar fora do ar por um bom tempo. Episodicamente serão postadas matérias de circunstância, como alguma receita, alguma citação, basicamente para que continue a ser considerado como um blog ativo.

FELIZ NATAL E PRÓSPERO ANO NOVO!

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quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

FÉRIAS, QUE NINGUÉM É DE FERRO (Parte IV, arremate)



Ouvidoria e confessionário

No confessionário da Igreja de Monte Sião

Para ter uma idéia de como se sente um confessor, ou como diz o vulgo “sentir o clima”, experimentei a cadeira do confessionário da igreja de Monte Sião. O confessor, no exercício do seu mister, é um ouvidor por excelência. Felizmente, os ouvidores civis encaminham as questões e não julgam nem aplicam penalidades. Estas, porém, eram as funções dos Ouvidores-Gerais da época do Brasil Colônia.
 
O mistério dos elefantes

Em Campos do Jordão um teleférico conduz ao Morro do Elefante, que recebe este nome porque de longe o formato do morro lembra o dorso de um elefante. No mirante existe a figura de um elefante, de fibra de vidro, onde as crianças tiram fotos em sua garupa.  Até aí tudo bem. Mas, na piscina infantil do Hotel Monte Real Resort, em Águas de Lindóia, também tem a figura de um elefante com dois filhotinhos. Por último, em Monte Sião a fábrica de porcelana produz centenas de elefantezinhos. Há, por alguma razão, uma afinidade da região pelo dito paquiderme. Pelo sim pelo não, comprei meu elefantezinho que agora enfeita o desktop de trabalho.

O leitor interessado no assunto, e que não possa ir a Monte Sião comprar seu elefantezinho, pode, porém, ler um bom livro a respeito: “A viagem do elefante”, de José Saramago, publicado pela Companhia das Letras.


E o nosso turismo interno, dá para melhorar?

Conforme sabido, variam as condições de nossas cidades turísticas ou de apelo comercial. Em Gramado encontra-se  o exemplo mais acabado de profissionalismo. Nos pacotes de viagem já estão previamente definidas as possibilidades de passeio. Lá tudo funciona dentro dos horários previstos. A contrapartida é que nas excursões é preciso pagar ingresso em todas as paradas programadas. Nas que não são pagas, o ambiente é preparado para induzir ao consumo.

Do que aqui foi relatado, Campos do Jordão é a cidade mais equipada para atender ao turista. Nos hotéis é possível saber dos passeios e das vans e serviços que prestam o serviço. A cidade ainda dispõe de trenzinhos e do aluguel de charretes e cavalos. Além disso, os taxistas sabem informar sobre as principais atrações da cidade e têm para brinde revistas e prospectos informativos. A prefeitura faz sua parte ao estabelecer normas específicas para construções no Bairro Capivari, onde se concentram os principais pontos de interesse turístico.

Em Águas de Lindóia existem alguns problemas. O hotel deu informações sobre os horários de funcionamento do Balneário Municipal e da visita ao monumento do Cristo. Fomos visitá-los dentro do horário previsto para o período da tarde. Nenhum dos dois estava funcionando, tampouco existiam plaquinhas indicando o horário de visitas. Felizmente, no dia seguinte, no horário da manhã ambos estavam abertos ao público. Porém, no monumento do Cristo não existia um único postal do local, muito difícil de ser fotografado de frente. O balneário Municipal está muito mal cuidado, necessita de reparos nas instalações e praticamente todas as cadeiras disponíveis também carecem de reparos. Caso fosse terceirizado, haveria cobrança de ingressos, mas certamente a qualidade do serviço melhoraria. Aliás, mesmo na atualidade, com exceção da entrada livre, todos os demais serviços são pagos, como os banhos de imersão, hidromassagens, terapias, massagistas, etc. Na praça municipal também é visível o estado de má conservação de bancos e ferragens. Todos estes aspectos seriam de fácil solução e envolveriam baixo custo caso fossem feito de forma gradual. Falta, portanto, uma espécie de termo de ajustamento com a prefeitura para que se comprometa com as reformas necessárias.

Em Serra Negra o caso mais dramático. Uma única loja da cidade possui ímas de geladeira com o nome da cidade. Mas nenhum feito especialmente com a finalidade de divulgação local. Todos os modelos eram convencionais, com o nome Serra Negra colocado posteriormente, seja pintado ou por meio de adesivo. Em um dos melhores bares da cidade encontra-se uma série de fotografias antigas, relatando o processo de construção da cidade. Poderiam constituir um álbum ou conjunto de postais. Ademais, mesmo a cidade tendo um teleférico, não existe um serviço de informação turística que potencialize suas atrações.

Estes últimos exemplos sugerem que os programas do Ministério do Turismo não estão chegando a estas regiões, apesar da existência de uma secretaria específica com esta finalidade: a Secretaria Nacional de Programas de Desenvolvimento do Turismo. Uma associação com o Sebrae seguramente seria ainda melhor, tendo em vista os excelentes trabalhos e exemplos que estamos acostumados a ver por meio do programa Pequenas Empresas & Grandes Negócios. Com a melhoria dos serviços oferecidos, ganha a cidade e ganham os visitantes.

Fecham-se as cortinas do palco...
Em um conto de Juan José Morosoli, escritor uruguaio, dois caminhoneiros começam a tomar mate e a conversar, após uma viagem que haviam feito. Diz um deles: “Hermano, fizemos uma linda viagem, mas vimos pouca coisa, não achas?” Responde o outro: “Não. As viagens só começam depois que a gente chega. Te digo isso eu, que uma vez fui a Montevidéu e só na volta, quando comecei a contar tudo aos outros, me dei  conta de que tudo aquilo que eu tinha visto era uma coisa bárbara”.

De modo que a apresentação deste passeio tem também o propósito de reorganizar na lembrança os bons momentos vividos. Naturalmente, estas lembranças irão aos poucos se esmaecendo. Tornarão a ser revividas nos próximos meses, toda vez que forem recebidas as faturas do cartão de crédito. Vida que segue...

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FÉRIAS, QUE NINGUÉM É DE FERRO (Parte III)


Monte Sião (MG) e Serra Negra (SP) ficam bem próximas de Águas de Lindóia. Monte Sião a apenas 12 km e Serra Negra a 19 km. Embora ambas tenham diversos atrativos turísticos, são procuradas predominantemente por quem está em busca das excelentes oportunidades comerciais oferecidas no ramo de confecções. Quem precisa montar ou renovar seu guarda-roupa de inverno estará bem servido nestes locais, com a vantagem dos baixos preços.

Monte Sião


Monte Sião, limítrofe a Águas de Lindóia, mas já no Estado de Minas Gerais, é procurada basicamente pelas ofertas de malhas do comércio local, justificando seu título de Capital Nacional do Tricot.

O portal da cidade 


Rua central de Monte Sião 

Santuário de Nossa Senhora da Medalha Milagrosa


A história da Medalha Milagrosa é muito interessante: ela foi cunhada a partir de uma visão da Virgem Maria por Catarina Labourè, na França. Nossa Senhora aparece sobre o globo terrestre, esmagando a cabeça de uma serpente, e de suas mãos saem feixes de luz, simbolizando as graças que concede. A imagem da igreja de Monte Sião, que ornamenta o centro do altar-mor, veio de Portugal em 1860. Em 1937 o Bispo da diocese achou a estátua sensual demais, por ter traços que marcavam suas formas, e ordenou ao pároco que a enviasse para uma capela da zona rural. Sua ausência foi muito sentida e a partir dela uma grande seca se abateu sobre o município. Em 1939, com a continuidade da ausência de chuvas em Monte Sião, enquanto que nas outras cidades da região chovia normalmente, a população tanto intercedeu pela volta da imagem da Padroeira que conseguiu a autorização para seu retorno. Quando estava entrando na cidade, com grande cortejo acompanhando, os primeiros pingos de chuva começaram e em seguida desabou uma grande chuva. Este dia, em 5 de novembro de 1939, foi considerado o Dia do Milagre da Chuva. Desde então, o ciclo de chuvas na cidade voltou ao normal.

A praça da Matriz 

A fábrica de porcelana


A fábrica, por si, justificaria uma visita a Monte Sião. Nas fotos é possível ter uma idéia de todas as etapas do processo de fabricação dos objetos de porcelana azul e branca.

Serra Negra


Uma estátua do Cristo Redentor, alcançável por meio de um teleférico, é uma das diversas atrações do município. Nossa passagem pela cidade, no entanto, destinava-se apenas a incrementar o ICMS local.

A decoração do Restaurante San Pietro, onde almoçamos

A Matriz de Nossa Senhora do Rosário
Jundiaí 
 
No âmbito doméstico do Centro de Engenharia e automação


Encerrado o ciclo turístico de nossa viagem, no restante do período ficamos na casa de minha irmã Ila Maria, no Centro de Engenharia e Automação, em Jundiaí. Na foto maior apareço junto com sua família: Álvaro, o esposo, Ila e Paula, a filha. Assim, encerramos nossas férias em ambiente de amenidades domésticas e voltamos para Brasília.

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quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

FÉRIAS, QUE NINGUÉM É DE FERRO (Parte II)

Após a visita a Campos do Jordão, fomos de ônibus até o Terminal do Tietê, em são Paulo, e de lá pegamos outro ônibus para Jundiaí. Minha irmã, Ila Maria, nos recebeu e ficamos hospedados em sua casa. Ila Maria Corrêa é Diretora do Centro de Engenharia e Automação, ligado ao Instituto Agronômico de Campinas, e mora em uma residência funcional. Ela nos levou de carro para a segunda parte de nosso roteiro: Águas de Lindóia, para também visitar as cidades vizinhas de Serra Negra e Monte Sião.

Nestas rápidas andanças não foi difícil encontrar superlativos: Campos do Jordão é o município brasileiro que fica na maior altitude, Águas de Lindóia possui águas termais com o maior teor de radioatividade do mundo, motivo da visita que a cientista Madame Curie, Prêmio Nobel de Química, fez à cidade em 1928.
  
Águas de Lindóia

De Jundiaí (761 m) a até Águas de Lindóia (945 m) percorrem-se 106 km, novas curvas ascendentes mas tudo numa boa.

 
O portal da cidade
 
O Hotel Panorama
Hotel Panorama - 095

Nossa hospedagem foi no Hotel Panorama, o prédio circular aí da foto. Construído em 1977, deve ter sido um assombro na época. O hotel pode ser visto da maioria dos pontos da cidade. Possui 14 andares. Ficamos no 13º andar, de onde se tem uma bela vista da cidade, conforme comprovam fotos logo abaixo. O restaurante com vista panorâmica fica no 14º andar.


Dependências do hotel

O hotel é muito confortável, com excelentes acomodações. Seu restaurante só não é recomendado para quem esteja em dieta alimentar, pois o serviço é muito bom e o cardápio pecadoramente farto. Ficamos bem à vontade. Por ser baixa temporada, a ocupação do hotel era baixíssima.

Vistas panorâmicas da cidade


Panorâmicas de Águas de Lindóia

O Balneário Municipal



O Balneário Municipal concentra as atividades ligadas ao uso das águas termais. Na foto à direita, os pequenos círculos no terreno são clarabóias que auxiliam a iluminar as câmaras para banho, na parte interna do prédio.




No Balneário é possível encontrar diversas atividades para quem busca os benefícios de suas águas termais: banhos de imersão, hidromassagens, terapias e serviços de massagistas.


A água espacial



Segundo a Nota Fiscal nº 20.218, de 02/04/69, o Balneário embarcou para Cabo Kennedy, a pedido da NASA, 100 dúzias de garrafas contendo água mineral de Águas de Lindóia. Isto ocorreu três meses e meio antes do lançamento da nave Apolo 11, que levou o homem à Lua pela primeira vez. A nave possuía dois reservatórios para água, mas, apesar das solicitações da Prefeitura, a NASA nunca informou sobre a utilização da água comprada. Motivos não faltariam para a água mineral de Águas de Lindóia abastecer a nave, por sua baixa acidez e rápida absorção pelo organismo. Em face da posição da NASA, a cidade não pode confirmar oficialmente que sua água teria sido a primeira a ir para o espaço. O assunto fica, portanto, na esfera das lendas urbanas. Se bem que no caso talvez o mais apropriado seja dizer que se trata de uma lenda espacial.

 A Estátua do Cristo

 
Localizada no Morro do Cruzeiro, a estátua do Cristo fica em posição proeminente. Do seu mirante é possível se ter uma visão panorâmica de toda a cidade.

O Bosque Municipal


Ao lado de nosso hotel fica o Bosque Municipal Zequinha de Abreu, o compositor mais conhecido por ”Ticio-tico no fubá”, nascido em Santa Rita do Passa Quatro, SP. Autor também de “Tardes em Lindóia”, que é o hino municipal. A história de “Tardes em Lindóia” tem uns poréns. Zequinha de Abreu compôs a música e a letra é de Pinto Martins. A música foi apresentada em 1930. Pois bem: atualmente existem os municípios de Lindóia e Águas de Lindóia, que antes constituíam uma única região. Em 1838 Lindóia virou município, enquanto a hoje Águas de Lindóia era distrito, conhecido como Thermas de Lindóia. Em 1954 a sede do município foi transferida para Thermas de Lindóia e o município passou a chamar-se Águas de Lindóia. Em 1964, Lindóia voltou a ser município, desmembrado de Águas de Lindóia.

Quando a música foi composta Lindóia não existia como unidade administrativa, tampouco a letra fala quer em Termas de Lindóia quer em Águas de Lindóia. Seria difícil, aliás, encaixar estes nomes na letra da música. Mas, como a música tornou-se hino da cidade, é possível supor que a referência seja mesmo a Águas de Lindóia. Talvez na sua aprovação como hino da cidade, pela Câmara Municipal, conste alguma explicação histórica na exposição de motivos. Não foi possível, pelo Google, esclarecer estes pontos. Tampouco o período em que Zequinha de Abreu teria conhecido Águas de Lindóia.

Para relembrar, o vídeo abaixo apresenta a música na clássica interpretação de Francisco Petrônio. Rosamaria Costa, minha colega de ginásio em Lavras do Sul e dona de uma memória privilegiada, lembra que esta música fazia parte do repertório de nossas aulas de Canto Orfeônico.



Tem mais?

Monte Sião e Serra Negra serão as próximas atrações deste relato. E derradeiras.


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