segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Mediocridade e degradação da atividade política

Emanuel Medeiros Vieira

O filósofo vienense Ludwig Wittgenstein (1889-1951 ) afirmava: “Os limites da minha linguagem são os limites do meu mundo.”
Onde quero chegar?
É de percepção solar a degradação das instâncias de poder no Brasil. E também a mediocrização e a degradação da atividade política.
Quem está , como eu, há muito tempo em casas políticas (37 anos!), percebe que, além da desagregação dos valores, ocorre também a degradação da linguagem.
Quero dizer: o nível dos parlamentares e o padrão dos discursos (sem qualquer ranço de nostalgia), piorou muito.
Octávio Paz dizia que uma degradação de uma nação começava pela degradação de sua linguagem.
Independente de se concordar com suas posições ou não, percebia-se o nível de pronunciamentos de, um Aliomar Balleiro, de um Adauto Lúcio Cardoso e, posteriormente, de um Tancredo Neves, de um Ulysses Guimarães e de um Darcy Ribeiro. Não citei muitos.
Muitas das colunas políticas da mídia impressa refletem isso. Várias são de uma mediocridade e de uma futilidade enormes.
Deputado tal que jantou com outro líder, um parlamentar que foi visto conversando com o seu líder. A linguagem “neutra’ é uma falácia. Ela serve a diversos interesses, e nunca é neutra.
Quero dizer: a mediocrização contaminou as próprias colunas, que deixam de contemplar análises consistentes (é claro, não estou pedindo teses acadêmicas), para se tornaram espaços para intrigas, fofocas, ou irradiarem nas entrelinhas outros interesses. Lembrem-se de algumas colunas.
Teria sido claro?

Informa-se que professores da Espanha e de outros países estão desistindo da profissão. Sentem-se mais ofendidos pelo desinteresse dos alunos do que pela sua ignorância.
O conhecimento é um caminho longo e complexo. Não tem milagre.
Ele perde em nossa sociedade da fragmentação, da pressa, do utilitarismo, do “quero já e agora”, para a busca do prazer absoluto e instantâneo.
Haveria uma razão cultural pela queda do prazer gerado pela leitura. Lógico, o reino soberano é o da imagem, muitas mídias são oferecidas, tudo ficou mais rápido, complexo e esfacelado. E predomina a cultura do narcisismo, além de uma enorme preguiça mental.
E o que me parece mais grave: há uma crescente indiferença pelo sofrimento humano. Dos outros.
Nossos contemporâneos estariam imersos em bobagens sem valores, em futilidades, na obsessão pela beleza, pela magreza, pela juventude eterna, dominados pela infantilização mental? A vida estaria virando um deserto de valores E como se exerce a cidadania? Um espaço seriam os partidos
políticos. Mas no Brasil eles viraram clubes fisiológicos.
Está havendo uma peemedebização total do sistema político (no PT, DEM, PSDB e satélites).

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Se um viajante numa noite de inverno...

Bueno, se ele entrar em uma livraria poderá comprar o livro homônimo de Ítalo Calvino e estará servido de boa literatura. Mas, se em uma noite de inverno o viajante for recebido na Chácara Esperança, região da Fercal, em Sobradinho, DF, poderá participar de um ato de fé, rezando um terço comunitário.



O ancestral fascínio pelo fogo



Os apetrechos da fé



The Holy Bible (A Bíblia Sagrada) is on the table

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

CONSELHO DE ÉTICA. ÉTICA?

Emanuel Medeiros Vieira
(Para Clarice, minha filha, para que não deixe de acreditar)

Ética (do grego "ethos") não é só caráter. Mas assento, fundamento. Cumprimento à palavra dada.
O senador Flávio Arns (PT-PR) lembrou que os senadores do PT, membros do Conselho de Ética, terão que prestar contas aos seus eleitores e dizerem porque mudaram de opinião, já que concordaram com a primeira posição da bancada , de que Sarney devia se licenciar do cargo e que as denúncias deviam ser investigadas.
O senador advertiu: "O PT jogou a ética no lixo."
O chicote do Lula falou mais alto.

O pior é a hipocrisia.
Nem todos se lembram, mas o PT foi criado para ser "diferente", para ter um padrão ético superior ao dos outros partidos, para honrar os seus compromissos.

Para mim, o pior é o efeito dessa desonra sobre àqueles que acreditaram nele, na nobreza de seus princípios.
O mais triste é perceber o efeito devastador sobre as novas gerações: que perdem toda a dimensão da utopia e da esperança.
(Não foi para isso que muitos de nós foram para a militância estudantil, para a clandestinidade, enfrentando longa prisão política, a tortura e um longo processo.)
Juventude sem rebeldia é servidão precoce, já disse alguém.
Mas é preciso manter, gramscianamente, o pessimismo da inteligência e o otimismo da vontade.
Pátria é o pacto afetivo e solidário entre as pessoas que nascem em um mesmo território e falam a mesma língua.
Quando a solidariedade e o respeito deixam de existir, a pátria desaparece.

Catarinense "desterrado", tenho um pedido: que os meus conterrâneos, nas próximas eleições, não se esqueçam dos que traíram a sua confiança, e negaram tudo o que prometeram em sua campanhas anteriores.
Parabéns, Marina Silva! Parabéns, Flávio Arns!

(Emanuel Medeiros Vieira)
Brasília, 20 de agosto de 2009

terça-feira, 11 de agosto de 2009

LIÇÕES DE MEMÓRIA

Estimado Cacau,

Pediria tua atenção - apesar do escasso tempo e da agenda cheia -, e a inserção de (parte) de minha meditação no teu precioso espaço.
Muitos repudiam as minhas críticas ao PT, sob a alegação de que "outros fizeram o mesmo". É um álibi facilitário: como malfetorias antigas justificassem as novas

Lembrando: na CPI de caso PC Farias (que levou à queda do oligarca de Alagoas), Renan comparou Collor a Nero e a Calígula.
Sarney acreditava que o "sereno" ex-presidente era um discípulo aplicado de Goebbels (o "assessor de imprensa" de Hitler...).
Lula, na campanha de 89, disse que Maluf era um trombadinha perto do "grande ladrão" que era Sarney.
Collor chamava Sarney de político de segunda classe e apadrinhador de corruptos.
Na TV, o "Caçador de Maracujás" (segundo o presidente) chamou Lula de "cambalacheiro".
(Nem preciso lembrar que Collor colocou na TV a ex-mulher do defensor de Sarney, Miriam Cordeiro, para chamar Lula de racista e de ter oferecido dinheiro para ela fazer um aborto.)
São "bons companheiros" (no sentido dado por Scorsese no filme homônimo).

A "academia" tem medo de criticar o Lula porque ele veio do povo. Pobreza não é álibi ético para ninguém.
Lula internalizou o espírito oligárquico da Casa Grande, como fosse donatário de capitania hereditária. Incorporou todos os vícios do patriciado brasileiro.
Sua visão de mundo antecede a Revolução Francesa, pois acredita que alguns homens têm mais direitos que os outros ("Sarney tem história suficiente para que não seja tratado como se fosse uma pessoa comum", disse em 17 de junho deste ano).
A lei é para nós, não para eles.
(Eu sei, um dia será preciso contar toda a história da privataria dos governos passados e de todas as trapaças.)

Sinceramente, da minha parte, não aguento mais as metáforas imbecilizantes do Lula, sua onipotência autoritária, seu desprezo pela inteligência e pela cultura, seu cesarismo tupiniquim, e a manipulações das populações mais carentes e desinformadas.
Tem muita popularidade? E daí? Médici também tinha.
Não esqueçamos que, há muito tempo, na hora dramática, a plebe optou pelo ladrão em vez de ficar com Jesus.

Grato pela atenção,

Emanuel Medeiros Vieira

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

ÉTICA

Emanuel Medeiros Vieira
(Em memória do meu querido amigo e "irmão" Ivan Pereira da Silva, falecido em 8 de julho deste ano.)


Nosso maior patrimônio é a ética que, do grego "ethos", quer dizer não apenas caráter, mas também assento, fundamento.
Uma de nossas missões é gritar, manter acesa a chama da indignação, mesmo quando o cansaço pela permanência de estruturas tão corrompidas e injustas, leve-nos à resignação e ao mero desencanto.

A atividade política no Brasil parece um atividade imprópria para homens de bem.

O MDB foi fundamental na reconstrução da democracia no Brasil, nas lutas mais dignas dos últimos anos, como a que foi movida em prol da anistia.

O que foi feito dele?
(Não preciso responder).

A executiva do PMDB "pediu" que seus dissidentes (os "dignos") se afastem, saiam por conta própria.

Como detectou alguém, a cúpula dirigente do partido passou o recibo de que as exceções à regra do fisiologismo "mancham a agremiação por lembrá-la de seu compromisos originários e éticos".
"Um partido indigno de suas antigas tradições precisa ocultar a própria indignidade poupando os dignos do convívio com ela."

As pessoas esquecem: quando Lula defende Sarney, Collor e Renan, está legitimando o quê?
(O Maranhão, dominando pelo "faraó" Sarney há tanto tempo, tem o segundo pior IDH do país. Só perde em miséria para Alagoas, de Collor e de Renan.)

Talvez minha fala lembre a de um "moralista indignado.
Pode ser.

Se o golpe de 64 foi, socialmente, o momento mais nefasto e doloroso para a minha geração, a idéia de um pensamento de "esquerda" foi quase destruída por alguns setores do PT e do governo Lula - com orgânica vocação para o maquiavelismo e não para o marxismo (como imaginam).
Para muitos brasileiros, hoje, "esquerda" é isso: corrupção, aparelhamento total do Estado, prevalências de mensaleiros e trapaceiros, odiosos privilégios para uma casta partidária e sindicalistas oportunistas e incultos (parecem mais milicianos fascistas).

Todos os nobres sonhos de um Guevara foram jogados na lata de lixo.

Para reconstruir, vamos precisar de gerações.
E como dizia Keynes, a longo prazo estaremos todos mortos...

(Emanuel Medeiros Vieira)
Brasília, agosto de 2009

terça-feira, 4 de agosto de 2009

CARTINHA ABERTA AO CELSO MARTINS

CARTINHA ABERTA AO CELSO MARTINS

Brasília, 05 de agosto de 2009


Dileto Celso Martins

Não, não demorarei.
Queria falar sobre literatura e flores.
Mas "contemplando" a união das mais vis oligarquias regionais, dos grupos mais sórdidos da nação, do que há de pior na política brasileira, para salvar o Sarney, não dá para calar a boca.

Vivo em Brasília há 31 anos.
Cobri a CPI do Collor e a do Orçamento e testemunhei o que os (outrora combativos) parlamentares do PT denunciavam.

Nivelar pela podridão em busca do poder pelo poder?
Posso desagradar amigos a quem estimo.
Mas a conivência (e a convivência) deste novo coronel nordestino, o Lula, com esse tipo de gente só pode ser (no mínimo) falta de caráter.

Não, não vim do PFL - sabes bem.
Sofremos muito para a construção da democracia.
Prisão, tortura, exílio, mortes de companheiros.
(Luiz Travassos mexe-se no túmulo.)

Dirigente do IEPES em Santa Catarina, semente da Fundação Pedroso Horta, junto com o saudoso André Forster e outros companheiros, em tempos ásperos, acompanhei a trajetória de Pedro Simon, ajudando companheiros perseguidos, colaborando para que conseguissem escapar pela fronteira, e não fossem mortos na tortura.

Ver o PT jogando toda a sua história na lata do lixo - na lama mesmo -, constrange mesmo as consciências mais resignadas ou desencantadas.
Fiz a campanha do Lula, em 1989, aqui em Brasília.
Enfrentamos (não é figura de retórica) a tropa de choque fascista do Collor e curiola, na rodoviária, nas avenidas da capital, nas cidades-satélites.
Lembro de amigos sendo espancados pelas milícias pagas pelo coronel de Alagoas.
Estão juntos agora?
MERECEM-SE!!!

O QUE SOMOS SEM MEMÓRIA?

O que sinto, amigo, é o mais profundo nojo.
E indignação visceral!
O que mais dizer? nada.
Abraço fraterno.
Sou um ex-combatente? Creio que não.
Ainda (e sempre) um combatente.

Emanuel Medeiros Vieira

terça-feira, 14 de julho de 2009

SEMINÁRIO INTERNACIONAL DE OUVIDORIAS

O Seminário Internacional de Ouvidorias-Ombdusman Brasil-Canadá foi realizado em Fortaleza, CE, entre os dias 8 a 10 de julho de 2009. Seu tema central: o fortalecimento da cidadania. O evento celebrava a comemoração brasileira sobre os 200 anos da instituição da figura do “ombudsman” (representante do povo) na Suécia.

A Ouvidoria-Geral da União foi responsável pela coordenação do seminário , que contou também com o patrocínio do Banco do Nordeste e o apoio da ANOP – Associação Nacional de Ouvidores Públicos e da Prefeitura Municipal de Fortaleza. O local: Centro Administrativo Presidente Getúlio Vargas, o centro de treinamento do Banco do Nordeste, bairro Passaré. Convidada especial: Fiona Crean, ombudsman de Toronto, Canadá.

O início dos trabalhos técnicos correspondeu à palestra da Dra. Luciana Barbosa Musse, que abordou o tema de sua tese de doutorado “Novos Sujeitos de Direito: as pessoas com transtorno mental na visão da biótica e do biodireito”. Seguiram-se, nos dias subseqüentes, os seguintes painéis: “Ouvidoria como instrumento de mudança”, com exposições de Fiona Crean e Dr. Rubens Pinto Lyra, sob a coordenação de Eliana Pinto, Ouvidora-Geral da União; “O papel social do setor financeiro: da bancarização à inclusão bancária”, com exposições de Lilian Machado Cabral, da CEF, e Hélio José Ferreira, do BB; “Assédio Moral”, com palestras da Dra. Margarida Maria Silveira Barreto, uma das maiores especialistas no assunto, e de João Batista de Oliveira Ferreira, do Banco do Brasil. Este último possui o blog “Palavra clandestina”, http://www.palavraclandestina.blogspot.com/, que registra sua participação no evento.

O último painel foi sobre “Cidadania, etnia e gênero” , com exposição da jornalista e professora Adísia Sá, com comentários de Vanda Maria de Souza Ferreira e de Vera Maria Borralho Bacelar. Adísia Sá tem 86 anos, foi a primeira mulher a trabalhar como jornalista em uma redação do Ceará, foi a primeira ombudsman do jornal O Povo, de Fortaleza, e é atualmente sua ombudsman emérita. Foi também fundadora do Curso de Comunicação Social, da Universidade Federal do Ceará. Seu depoimento foi de longe o momento mais emocionante de todo o seminário. Ao final, a platéia aplaudiu de pé entusiasticamente.

Maiores informações sobre o seminário serão divulgadas no blog de Eliana Pinto, Ouvidora-Geral da União, intitulado “A Ouvidoria Vai Falar: http://blig.ig.com.br/aouvidoriavaifalar/2009/07/07/noticia-36/.

Fortaleza, a Cidade Luz. Flagrante da cobertura do Hotel Travel Iracema.

Raimundo Tadeu Corrêa, da Ouvidoria-Geral do Ministério da Ciência e Tecnologia, Eliana Pinto, Ouvidora-Geral da União, e Nancir Sathler, da Ouvidoria da Secretaria de C&T do Rio de janeiro.

Nancir Sathler, RJ, Fiona Crean, Ombudsman de Toronto, Canadá, e Raimundo Tadeu Corrêa, BSB

Um grupo afinado: Marcos Garcia, Ouvidor Geral do Município de Guarjá, SP, Carmen Lúcia Calado, Ouvidora da Universidade Federal do Rio Grande do Norte e maior especialista brasileira em assuntos relacionados a Charlie Chaplin, Nancir Sathler, RJ, e Raimundo Tadeu Corrêa, BSB.