sexta-feira, 13 de março de 2009

REUNIÃO DA OCDE EM PARIS: a participação brasileira no comitê de tratores

O Centro de Engenharia e Automação do Instituto Agronômico (CEA/IAC), com sede em Jundiaí, São Paulo, participou, no final de fevereiro, da reunião anual da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), formada pelos 30 países mais ricos do mundo, no comitê referente à implantação de ensaios oficiais de tratores agrícolas. A reunião acontece todos os anos em Paris e reúne países membros e não-membros da OCDE. O CEA/IAC, que há três anos vinha sendo convidado, participou como representante do Brasil na condição de membro observador. A delegação brasileira foi constituída pelo Diretor do CEA, Hamilton Humberto Ramos, e pela pesquisadora Ila Maria Corrêa, do Laboratório de Ensaio de Tratores. Na ocasião, o Diretor do CEA/IAC fez uma apresentação sobre a expectativa de ensaios no Brasil, expondo dados da produção agrícola brasileira, da produção de tratores agrícolas e fazendo um histórico da atividade de ensaios no âmbito do Instituto Agronômico.

A delegação brasileira: Hamilton Humberto Ramos e Ila Maria corrêa

O CEA/IAC manifestou interesse em participar da reunião do comitê da OCDE por ser o ensaio de tratores agrícolas uma de suas áreas de atuação, com o objetivo de melhoria da qualidade das máquinas agrícolas. Nos ensaios de tratores são levantadas características de desempenho (potência desenvolvida, consumo de combustível) e de segurança (ruído, estrutura de proteção na capotagem, cinto de segurança).
Desde a década de 60 o CEA é referência neste tipo de ensaios. Atualmente encontra-se em fase de reestruturação de suas instalações, buscando enquadrar-se em padrões internacionais, o que está sendo feito com recursos da FINEP, do governo do Estado de São Paulo e de outras fontes. A intenção é manter a condição de observador junto à OCDE até obter o credenciamento, submetendo-se à avaliação do órgão. Na avaliação será observada a infra-estrutura disponível, a capacitação dos técnicos envolvidos e se os procedimentos de ensaio seguem os preconizados nos Códigos de Ensaios de Tratores.

O plenário do Comitê de Tratores da OCDE

Dispor de um a estação de ensaio credenciada pela OCDE no Brasil é importante também para a indústria de tratores agrícolas com interesse em exportação para o mercado europeu. Para exportar a um país membro da OCDE o fabricante deve atender a regulamentos específicos, entre eles o de apresentar relatório de ensaio. Não havendo estação de ensaio credenciada no país de origem, o fabricante tem de enviar a máquina para ensaio em outro país, o que envolve altíssimo custo. Assim, mais uma vez o CEA dá um importante passo para continuar sendo referência de qualidade da área agrícola.

O desenvolvimento dos trabalhos

A OCDE é uma organização internacional e intergovernamental que agrupa os países mais industrializados da economia do mercado e tem a finalidade de promover políticas para o crescimento econômico e social, para a expansão do emprego, para a melhoria do padrão de vida e a liberação do comércio. A OCDE tem quatro programas de atuação: Código de Tratores, Esquemas de Sementes, Esquemas de Frutas e Legumes e Esquemas de Florestas. Tais códigos e esquemas estabelecem regras e facilitam o comércio entre os países participantes.
No programa Código de Tratores são tratadas questões relativas aos métodos de ensaio, decidindo sobre revisões, alterações, inclusão de novos procedimentos. Os ensaios são conduzidos a pedido dos fabricantes, por uma estação de ensaio reconhecida oficialmente em diversos países. Os resultados fornecem ao usuário informações técnicas de comparação e em alguns países servem para atender à legislação vigente.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

SERES HUMANOS NA CRISE DO CAPITALISMO

Emanuel Medeiros Vieira

(Modesta meditação dedicada em favor do pessimismo da inteligência e do otimismo da vontade.)

André Gide escreveu: “Todas as coisas já estão ditas, mas como ninguém escuta, é preciso recomeçar sempre.”
E o ofício de escrever é um eterno recomeçar: lutar com palavras mal rompe a manhã, para usar a expressão de Drummond.
Creio que travamos, através da linguagem, o que T.S.Eliot chamou de “combate intolerável com as palavras” que “se estiram, racham, escorregam, perecem.”

Mas a batalha da vida não é formal. O que percebemos é a banalização do mal e não do bem. A mercantilização das relações, a hegemonia do ter e do parecer, o estímulo à futilidade e ao egoísmo, geraram um ilhamento entre as pessoas, onde muitos seres parecem apenas fingir e camuflar os seus sentimentos.

O modelo vigente acreditava que éramos meros números. Minha geração não viu crise maior do capitalismo. Crise ou colapso? O “Muro de Berlim” dos neoliberais?
Onde estão aqueles que exigiam Estado mínimo e nos chamavam de dinossauros?
Eles tinham verdades consagradas. Diziam que o capitalismo havia vencido.
Como disse Cesar Benjamin, num artigo intitulado “Karl Marx manda lembranças”, os “Estados tentarão salvar o capitalismo da ação predatória dos capitalistas”.

O que se vê não é erro nem acidente. O projeto todo estava centrado na acumulação do capital.
Tantos anos de falso consenso resultaram neste quadro dantesco.
Benjamin está convicto de que o Brasil pagará alto preço por ter subordinado sua economia ao grande cassino.
Resultado?
Colapso financeiro, desemprego crescente, desigualdade social obscena. E assim por diante.
Os concílios acabaram com o limbo e com o purgatório. Com o inferno não...
Formou-se uma geração de políticos espertos, inebriados pelos marketing, não pela verdade
E a degradação ética, internalizada em muitas almas, parece não ter fim.

Só unidos poderemos recuperar o núcleo do humano.
(Não digo nada de novo. Eu sei. Mas nossa força é essa: nossa união, forjada em tantas lutas.)
Como observou Boris Pasternak, “viver a vida até o fim não é tarefas para crianças.”
Vamos vivê-la?

(Brasília, fevereiro de 2009)

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

EMIGRADOS

Poema de Emanuel Medeiros Vieira

Emigrados,
seremos sempre,
emigrados.

Em busca de outro mar,
da última ilha,
seguindo os pássaros,
atrás do último pássaro.

De um mar a outro,
de uma ilha à outra ilha,
e, então, dormiremos,
uma noite sucedendo-se à outra.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Uma questão de família

A recente campanha para a Prefeitura de São Paulo introduziu no debate político o questionamento sobre a condição familiar de um dos candidatos. É casado? Tem filhos? Para evitar dúvidas, alguns cronistas têm feito suas declarações a respeito, como o Affonso Romano de Sant’Anna. O dono deste blog entra na corrente: é casado e tem filhos.

O filhão, Lauro Antonio, com Márcia Cristina e Bárbara Christina (Babi)

Babi, desfilando sua graça

Aos dois anos e quatro meses, Babi, a alegria da casa, encontra-se em pleno processo de descoberta do mundo. Dia destes, experimentou pastel pela primeira vez. Ficou maravilhada: “tem comidinha dentro”.

A filhota, Laura Isabel, com dois gatos tem direito a exposição dupla. O felpudo chama-se Thomas e o quadro ao fundo foi pintado por sua mãe (dela)

E aí com João, ás do cross country

Estabelecendo-se na carreira

Márcia com sua afilhada Camila.

Por conta das obrigações familiares, Márcia, minha mulher, começou no Piauí sua trajetória de madrinha. O ápice aconteceu em Brasília, quando à condição de avó agregou também a de madrinha de Babi. “Vó dinda”, portanto. Mas, na capital já tinha antecedente como “dinda”: ela também é madrinha de Camila, filha de Lilian, professora da Universidade Católica de Brasília, e de Henrique, ínclito chileno. Camila freqüenta, desde pequenininha, a chácara da madrinha. No início do ano esteve com sua mãe nos Estados Unidos. Os familiares de lá programaram uma viagem a Orlando, na Flórida. Um sobrinho antecipou o roteiro: “vamos pra Disney”. Camila corrigiu: “Não é Disney, é Dinda, nós vamos pra casa da Dinda”.

Pois, pois...

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Natal

Emanuel Medeiros Vieira

O menino mítico não submerge,
inunda-me: natal.

Ele contempla um presépio imemorial,
espreita a eternidade.

Natal:
oferendas, rei mago, missa do galo:
o menino está em paz.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

“O Pão” da Padaria Espiritual

No disco “Berro”, de 1976, duas músicas do cantor Ednardo possuem referências literárias: “Padaria Espiritual” e “Artigo 26”. Trechinho de “Padaria Espiritual”: Nessa nova padaria espiritual / nessa nova palavra de ordem geral / eu faço o pão do espírito / e você cuida do delito / de comer, de comer. Padaria Espiritual foi uma confraria literária cearense que existiu no período de 1892 a 1898. Era uma “sociedade de rapazes de Letras e Artes [com a finalidade de] fornecer pão de espírito aos sócios em particular e aos povos em geral”. O “pão de espírito” consistia no jornalzinho “O Pão”.

Em “Artigo 26” (que trata do direito à instrução na Declaração Universal dos Direitos Humanos, da ONU) Ednardo descreve o processo de distribuição do jornalzinho: Lá vai o padeiro / entregando o pão / de casa em casa / naquela não. “Naquela não” porque certamente os rapazes da Padaria Espiritual teriam muitos desafetos.

Segundo o artigo 2º do Estatuto da Padaria Espiritual: “A Padaria Espiritual se comporá de um Padeiro-Mór (presidente), de dois Forneiros (secretários), de um Gaveta (tesoureiro), de um Guarda-livros na acepção intrínseca da palavra (bibliotecário), de um Investigador das Coisas e das Gentes, que se chamará Olho da Providência, e demais Amassadores (sócios). Todos os sócios terão a denominação geral de padeiros”.



Como todo bom tema cultural, a Padaria Espiritual é objeto de produção acadêmica. De forma não exaustiva podem ser citados: “O pão... da padaria espiritual”, dissertação de mestrado da Regina Cláudia Pamplona Diniz, apresentada à UFRJ; “O Pão... da Padaria Espiritual e sua produção crítica”, dissertação de mestrado, UNESP; “A Padaria Espiritual e o Simbolismo no Ceará”, tese de doutorado de Rafael Sânzio de Azevedo, UFRJ; além do livro “Padaria Espiritual: biscoito fino e travoso”, de Gleudson Passos Cardoso.

Entre os colaboradores de “O Pão” o “eminente poeta e querido consócio” Raimundo Correia. Além de crônicas, o poeta nele publicou poesia dedicada a uma Anarda, musa de ocasião. Não teve ter sido fácil encontrar inspiração com um nome desses.

Em 1982, em uma iniciativa admirável, a Universidade Federal do Ceará conseguiu localizar todos os exemplares da coleção de “O Pão” e os publicou em uma edição fac-similar. O Reitor era o Prof. Paulo Elpídio de Menezes Neto. Se mais não tivesse feito, só por isto merecerá, oportuno tempore, um conjunto de benefícios: green card celestial, de validade eterna, asas tamanho GG e um harpa americana da Lyon & Healy, consideradas as melhores do mundo (deste).

Paulo Elpídio recentemente publicou “inconfidências@indeletáveis.com.br - os deslizes dos outros (e os nossos também)”. Editado em Fortaleza: Imprece/Oficina da Palavra. Segundo o próprio autor, as histórias do livro “mais se assemelham a uma escuta clandestina (...), de cujas revelações desfrutará o leitor o prazer de compartilhar comentários e insinuações indiscretas, malévolas, até, sobre tudo e todos”. Muito melhor do que qualquer Big Brother. Apresentando a obra, Lustosa da Costa dá conta de que, com testemunho fotográfico, lançou exemplar do “Anuário do Ceará”, de que era um dos editores, ao rio Sena para que os conterrâneos soubessem do primeiro lançamento de um livro seu em Paris.

Portanto, reitero a recomendação: ouça o disco, leia o livro. Que livro? Bem, qualquer um é melhor do que nenhum. Não encontrou o do reitor? Então leia Emanuel Medeiros Vieira. Possui cerca de 20 títulos, entre livros de contos e de poesia. Finalizando: este blog não é imparcial. Aos amigos, tudo. Aos inimigos, o rigor das críticas literárias.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Diferenças de gênero

Repassei vídeo com Rita Pavone, aos 63 anos, cantando “Fortissimo”.
Comentário de uma colega:
- Continua com aquele tremidinho na voz.
Comentário de um colega:
- Está gostosa!